O tempo passou. Toda a geração de José e de seus irmãos foi esquecida. Os descendentes de Israel, no entanto, espalhavam-se como areia por todo o Egito. Um novo Faraó, que não sabia da história de José, subiu ao poder e se sentiu ameaçado com os hebreus. Por isso mandou fazer trabalhos forçados (1-14).
O rei do Egito, então, tomou uma medida para controlar a natalidade dos israelitas (12). Ele ordenou que as parteiras Sifrá e Puá matassem todos os meninos recém-nascidos. Mas as mulheres não obedeceram ao rei e inventaram uma desculpa muito criativa (16-19). Como essa tática não deu certo, ele baixou uma ordem que todo menino judeu deveria ser lançado no rio Nilo...
Uma mulher da tribo de Levi teve um filho. E como ele era bonito (e todos os bebês não são?!), escondeu-o por 3 meses. Depois disso colocou o garoto num cesto e o deixou no rio. O mais legal aqui é que a irmã do bebê foi malandrinha e conseguiu para a mãe o emprego de babá do próprio neném!!! Assim, manteve-se vivo o menino, próximo da mãe, protegido da ira do rei... e a mulher ainda recebeu dinheiro para isso!!! Sagaz essa irmã do Moisés heim?
Tá todo mundo de olho!
Moisés foi defender um israelita e acabou matando um egípcio! Mas antes, tentou garantir que ninguém estava olhando (12). Mas ele estava enganado (13-14). Não adianta: por mais que você seja bom em esconder algo, uma hora vai ser revelado. E mesmo que ninguém nunca descubra, Deus sabe... Cuidado! Li certa vez uma frase (não lembro o autor, infelizmente): "só faça aquilo de que você não vai se envergonhar se aparecer amanhã na 1ª página do jornal!" Xiiiii... aí pegou!
Encontro marcado no poço
Acabei de me dar conta que muitos encontros bíblicos ocorreram perto de poços! Moisés, fugitivo do rei, estava escondido em Midiã. As sete (eu disse SETE) filhas de Jetro foram pegar água no poço, mas foram maltratadas por alguns pastores. Moisés foi lá e defendeu as mocinhas. E não fez só isso: pegou água para elas e para o gado (15-20). Isso só podia dar em casamento... (21-22).
Interessante que nada na Biblia é avulso. Pare para pensar. Repare como Moisés tinha um sentimento de justiça apurado, à flor da pele. Ele não conseguia parar quieto se visse alguma injustiça acontecendo. Ele se metia mesmo e estava sempre apoiando o lado mais fraco. Acho que esta foi uma das características que Deus viu e se agradou de Moisés. E acho que por isso ele foi escolhido para salvar o povo. Deus ouviu o clamor dos israelitas, e se preocupou com eles (Gênesis 2:23-25).
Então o Anjo do Senhor (os estudiosos acreditam ser a pessoa visível de Deus, ou seja, Jesus) apareceu no espinheiro em chamas - que não queimava. E passou a missão para o Moisés. O povo de Israel seria libertado (7-10;16-22).
Moisés não levava muita fé nele mesmo e várias vezes tentou fazer Deus mudar de ideia, como veremos nas próximas leituras. Mas Deus disse que iria com ele, e se alguém perguntasse o nome desse Deus antigo, Moisés deveria apresentá-lO como "EU SOU QUEM EU SOU" (13-15).
Deus já sabia que o Faraó não ia deixar barato, e preparou alguns bons "argumentos" para "convencê-lo" a deixar o povo de Israel ir embora (19-20). O bicho vai pegar!!!
Filho mais novo sempre se dá bem! Que coisa! Desta vez, nem foi culpa do menino! Quando foi abençoar os filhos de José, Jacó deu nó nas mãos para abençoar mais o caçula do que o primogênito. Assim ele propagou o que havia ocorrido com ele, embora desta vez ninguém tenha feito nada de má-fé. Jacó, inclusive, reclamou os filhos de José para si, como se tivessem sido seus próprios filhos, e por causa disso, as tribos de Efraim e Manassés (Efraim é o mais moço, mas foi colocado antes de Manassés) tiveram parte na terra prometida.
Corrigindo o erro de seu pai Isaque, Jacó guardou uma bênção especial para cada filho (28). O legal dessas bênçãos é que, quando houver a partilha da terra prometida (lá em Josué) vamos observar o que realmente ocorreu, se as bênçãos de Jacó batem... Veja que Rúben (o filho mais velho... coincidência???) não seria considerado o mais importante, porque fez besteira dormindo com uma das mulheres do próprio pai (3-4). Simeão e Levi são "amaldiçoados" por causa do fato ocorrido em Siquém, quando mataram toda uma cidade para vingar o estupro da irmã (5-7). Eles seriam espalhados pela terra (a tribo dos levitas não recebeu nenhuma região específica). Conhece o leão de Judá? Pois é, a expressão tem origem no versos 8-12. Jacó, inclusive, profetiza sobre a tribo de Judá, afirmando que os grandes reis viriam dela. A maior bênção ficou para José, filho da mulher que Jacó mais amou.
Jacó morreu no verso 33 do capítulo anterior. Jacó foi embalsamado como
os egípcios, num processo que durou 40 dias. E por 70 dias todo o Egito
ficou de luto. E foi enterrado na caverna de Macpela, junto a seus antepassados, conforme havia feito José prometer. José foi com uma grande caravana até Canaã. As pessoas mais importantes do Egito e todos os israelitas, moradores de Gósem também acompanharam. Fico imaginando os povoados no caminho... deviam morrer de medo, achando que um grande exército estava chegando para atacá-los! Mas o que impressionou mesmo foi o choro do povo pela morte de Jacó (1-14).
Os irmãos de José tremeram na base, achando que ele estava só esperando o pai bater as botas para descer o sarrafo nos irmãos sem-vergonha. Mentiram a José, dizendo que Jacó havia feito, como último suspiro de moribundo, um pedido para que José perdoasse os irmãos. O governador do Egito, que já no verso 5 capítulo 45 havia dado o perdão, faz um dos discursos mais bonitos da Bíblia, que eu faço questão de colar aqui:
Mas José respondeu: —Não tenham medo; eu não
posso me colocar no lugar de Deus. É verdade que vocês planejaram aquela maldade
contra mim, mas Deus mudou o mal em bem para fazer o que hoje estamos
vendo, isto é, salvar a vida de muita gente. Não tenham medo. Eu cuidarei de vocês e dos
seus filhos. Assim, ele os acalmou com palavras carinhosas, que tocaram o
coração deles. (Gênesis 50:19-21)
José viveu 110 anos e chegou a ter bisnetos (22-23). Antes de morrer, fez o povo de Israel prometer que não o sepultariam no Egito. Por isso foi embalsamado e ficou guardado num sarcófago durante muito tempo (24-26 = sim, José virou uma múmia do Egito).
E assim, amigos leitores, finalizamos nosso primeiro livro da Bíblia!!! Nem doeu, né?!?
A maldade e a injustiça fazem parte da história da humanidade. Na Bíblia, o mal já existia antes de Adão e Eva, pois o fruto do qual não podiam comer era da árvore "da ciência do bem e do mal". Hoje, acredito que o mal tenha se fortalecido por vários motivos: 1) As pessoas estão deixando de temer a Deus; 2) Há muita desigualdade social; 3) As coisas têm lugar de destaque em detrimento das pessoas (valorização do "ter" e não do "ser"); 4) Desvalorização do trabalho como meio de alcançar bem-estar. 5) Impunidade.
Davi captura toda a sua inquietação diante do que vê e do que sofre neste mundo de trevas e joga na nossa cara a realidade cruel através dos Salmos da leitura de hoje. Sério, eu fiquei boladaço ao ler estes versículos, pois retratam algo muito atual.
- O homem mau não se importa com Deus e O despreza (10:3-4).
- Ele pode até mesmo se dar bem por um tempo (10:5).
- Pensa que é indestrutível e que nunca será pego (10:6; 12:4).
- Ameaça as pessoas de bem e faz vítimas com sua força bruta (10:7-10).
- Pensa que, se existe Deus, Ele não tá nem aí (10:11).
- Está cada vez mais difícil encontrar alguém de confiança (12:1-2).
- Os maus estão por toda a parte (12:8).
A impotência das pessoas honestas
Davi reconhecia a total impotência das pessoas honestas. Somos esmagados no caminho para casa depois de um dia pesado de trabalho (10:9-10). A única solução possível é correr e fugir (11:1-2). Parece que não há nenhuma outra forma de lidar com isso, não há nada a se fazer (11:3)... Quem teme a Deus busca nEle o seu refúgio, mas em momentos de desespero chegamos até a duvidar da falta de ação de Deus (10:1).
A justiça e a proteção de Deus
Mas a Bíblia diz que Deus ouve a oração do perseguido (9:13-14; 10:17-18). Deus vê todas as coisas e odeia aqueles que são violentos (11:4-5). Deus age em favor dos oprimidos (12:5) e ajuda aqueles que não podem se defender (10:14), renovando suas esperanças (9:18). Para viver feliz neste mundo violento, o segredo é louvar e confiar em Deus (9:1-2;11). Porque Deus é justo e um abrigo seguro (9:4;7-12), quem pode desafiá-lO (9:19)???
O castigo dos violentos
- Serão condenados por Deus e destruídos (9:5-6).
- Cairão nas próprias armadilhas (9:15-16).
- Irão para o inferno (9:17).
- Não conseguirão viver em paz (9:20).
- Serão castigados severamente por Deus (10:13; 15-16; 11:6).
Observações
- Em nenhum momento o texto bíblico sugere que você, sendo vítima de violência, deve reagir. É sempre Deus o autor do castigo, bem como da proteção. Se for preciso, corra, mas em hipótese alguma reaja. Sua vida vale mais do que o seu celular.
- Deus é justo e pode dar uma nova chance para quem é violento e mau. Repare que a oração pede castigo para os maus até que eles não façam mais maldades (10:15). Isso mostra, além da compaixão e do perdão de quem foi vítima, a verdadeira face do castigo: ensino. Todos têm direito a uma nova chance (puxa! Como essa lição é difícil de aceitar...).
- A pior coisa que pode acontecer com quem ama a Deus e é honesto é morrer... e se você crê que o Céu é a sua casa... (11:7 - repare: "viverão na Sua presença")
José não se
conteve. Após um bom tempo fazendo teatrinho e disciplinando os irmãos, ele
finalmente revelou sua verdadeira identidade. E chorou tão emocionado, que todo
o Egito ficou sabendo (1-4).
Em nenhuma
passagem, a Bíblia mostra que José tenha ficado magoado ou com raiva dos irmãos
pelo que fizeram com ele. Mas eu acho que, somente com o tempo, José entendeu
realmente a razão para todo aquele sofrimento. E vale muito a pena transcrever
aqui o verso 5: "Agora não fiquem tristes nem aborrecidos
com vocês mesmos por terem me vendido a fim de ser trazido para cá. Foi para
salvar vidas que Deus me enviou na frente de vocês."José não só
já havia perdoado completamente seus irmãos, como se preocupava com o bem-estar
deles, inclusive tirando o peso da consciência e livrando-os da culpa pela
maldade de anos atrás (7-8)! José se tornou um especialista em enxergar a mão
de Deus em tudo o que acontecia com ele. Das grandes qualidades de José, essa é
a minha preferida! Assim como a fé de Abraão é a mais celebrada, mas eu gosto
mais da sua humildade; ainda que a integridade e a fuga do pecado sejam as
características famosas de José, eu curto muito mais essa visão da ação de
Deus... E você? Consegue ver Deus agindo na sua vida, inclusive nos momentos
difíceis?
E para provar
que o que dizia era real e que não havia sentimentos ruins no seu coração, José
fez questão de beijar e abraçar cada um dos seus irmãos (14-15).
Ser bom funcionário te dá crédito com o chefe
A notícia da
vinda dos irmãos de José correu o Egito até o palácio do rei, e tanto o Faraó
como todos os servidores públicos ficaram felizes!!! Além disso, o rei mandou
que José enviasse carros, mantimentos e tudo o que havia do bom e do melhor à
Canaã, para que seus irmãos pudessem trazer para morar no Egito suas esposas,
filhos, gado e, claro, seu pai Jacó (16-23). Dá para acreditar nisso? O rei da
superpotência mundial da época, ficar feliz pela família de um estrangeiro???
Dar o “green card” para 70 pessoas da mesma família (Gênesis 46:27), sem nem ao
menos conhecer essa muvuca toda?
É que
precisamos levar em consideração algo que eu chamo de “O Fator Produtividade”.
José foi tão produtivo e trouxe tantas soluções para o Faraó... acredito que,
durante o governo de José, o rei do Egito “tirou férias”!!! O soberano foi tão abençoado
pelo excelente trabalho de José que qualquer recompensa ainda seria pouca para
pagar todo o bem que o hebreu fizera ao povo egípcio, salvando-o da morte por
inanição. Pense nisso! Ainda que seu trabalho seja penoso, ou que você se sinta
preso nele (José trabalhou na cadeia!!!), dê o seu melhor! Você, com a graça de
Deus, vai conquistar a boa-vontade da chefia. Ganhe créditos no seu ambiente de
trabalho através da produtividade, e não do puxa-saquismo. E quando você mais
precisar, não vai ficar na mão... #ficaadica
Um conselho importante
José, melhor
do que ninguém, sabia do que seus irmãos eram capazes. Para que nenhuma outra
desgraça acontecesse na família, deu um conselho interessante, no verso 24: “Não
vão brigar pelo caminho, heim!?!” Imagine só, um irmão mais novo, que foi o
caçula por algum tempo, aconselhando como pai um bando de marmanjo velho
barbudo...
Será que esse versículo foi só pros 11 filhos de Jacó??? Acho que é um conselho também para você, que tem irmãos... Eu tenho um irmão mais
novo, que já casou (é, fui vítima da síndrome dos primogênitos). A gente brigou
muito quando era moleque... hoje eu me sinto muito mal por isso, porque eu fui
perverso, às vezes. Claro que, depois de velhos (!!!), só temos batalhas no
videogame. Só quero deixar o conselho de José para vocês, irmãos... “Não
briguem pelo caminho!” A vida é curta demais, o tempo passa rápido demais
(Gênesis 47:9). Não vale a pena se estressar com seu irmão à toa! Se liga nesse
conselho do José!
José teve um
treco quando soube que seu amado filho José estava vivo (Gênesis 45:25-28) e
nem contou conversa: juntou os trapos e partiu para o Egito. Antes, deu um “pit-stop”
em Berseba, para agradecer a Deus. Lá, recebeu encorajamento do Senhor e a
renovação da aliança (46:1-4).
Ao serem
recebidos pelo próprio Faraó, José e cinco de seus irmãos disseram sua
profissão – pastores de ovelhas – que era uma atividade considerada desprezível
pelos egípcios (46:34). Ficaram na melhor terra de pastagens de todo o Egito, a
região de Gósen (47:11-12), onde se instalaram confortavelmente e recebiam
mantimentos.
Interessante
ler de novo a conversa entre Jacó e o rei do Egito (47:7-10). Jacó disse que
sua vida passou muito rápido (130 anos!!!) e que ele já não era mais tão forte
quanto seus antepassados eram na mesma idade. Creio que isso é uma confirmação do
verso 3 do capítulo 6 de Gênesis, quando Deus diz que a humanidade passaria a
viver cada vez menos. Legal observar também que, apesar de estar falando com o
rei da nação mais poderosa da terra, Jacó o abençoou 2 vezes!
Com a lei instituída
por José, no versículo 26 do capítulo 47, ele sacramentou sua habilidade como
administrador. Deixou uma espécie de imposto para garantir que não haveria mais
falta de comida no Egito. Assim, tanto nos tempos de fartura como nos tempos de
escassez haveria estoque suficiente de alimentos.
Observe que o
“bolsa-trigo” de José não era gratuito. Ainda que, decerto, haveria um preço
camarada para quem era egípcio, o governador não dispensava pagamento. Controlando
os suprimentos, José evitava que algum nobre ou comerciante ganhasse dinheiro
monopolizando alimentos. Apenas o governo central tinha autorização para negociar
mantimento durante os sete anos de seca. Quando o dinheiro acabou e o gado
também, as terras e o próprio povo foi usado como moeda de troca. Pode parecer
um pouco arbitrário, mas, para a época, era a lógica. Desta forma, José
garantiu a fidelidade do povo (47:13-24). E veja o que o povo falou a respeito
de José, no verso 25 do capítulo 47!
Um
pedido e uma promessa
Jacó, pela
fé, sabia que a permanência dos israelitas no Egito seria temporária. Por isso
pediu a seu filho José que não o enterrasse naquela terra estrangeira, mas que sepultasse
seu corpo na sepultura dos pais, em Macpela. E José prometeu que faria isso
(47:27-31).
O mundo dá muitas voltas... é como eu sempre digo! Depois de ter sido maltratado e vendido pelos irmãos para os ismaelitas. Depois de ter sido vendido pelos ismaelitas ao oficial egípcio chamado Potifar. Depois de ter sido injustiçado e lançado na cadeia... Depois de ter se tornado segundo no comando do Faraó... José teve sua chance de vingança...
A fome apertou em Canaã, e Jacó enviou todos os seus filhos ao Egito, para comprarem mantimento. Deram de cara com tal de Zafenate Paneia, sem perceber que o vice-rei do Egito era, na verdade, seu irmão José.
Será que José tinha sede de vingança, e por isso fez o que fez com os seus irmãos? Tratou os irmãos duramente, acusou, prendeu, ameaçou...
Acho que José não estava se vingando dos irmãos, mas dando-lhes uma lição. José queria mostrar o erro que eles haviam cometido há muitos anos. Rúben foi o primeiro que sentiu a peia (42:22). Simeão foi o próximo a ralar, quando foi preso (42:24b). Judá assumiu a responsa por Benjamim (43:8).
Vamos a algumas observações:
- Estava muito difícil para José manter a compostura diante dos seus irmãos. A emoção estava forte e ele precisou se retirar várias vezes para chorar (42:24; 43:30).
- Jacó se tornou realmente um homem honesto, quando mandou os filhos devolverem o dinheiro que encontraram nos sacos (43:11-12).
- Simeão deve ter ficado um bom tempo preso no Egito, pois os filhos de Jacó já poderiam ter ido e voltado duas vezes. Uma viagem de Canaã até à capital do Egito era uma pernada boa... deixaram o coitado preso por lá e só voltaram quando acabou a comida! Ô família (43:10)!!!
- José provavelmente só conheceu seu irmão Benjamim no Egito (43:29; 34).
- Os sonhos proféticos de José se concretizaram (42:6-9; 43:26; 44:14).