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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Dia 018: Gênesis 48-50

A marcação com o filho mais velho
Leia: Gênesis 48 

Filho mais novo sempre se dá bem! Que coisa! Desta vez, nem foi culpa do menino! Quando foi abençoar os filhos de José, Jacó deu nó nas mãos para abençoar mais o caçula do que o primogênito. Assim ele propagou o que havia ocorrido com ele, embora desta vez ninguém tenha feito nada de má-fé. Jacó, inclusive, reclamou os filhos de José para si, como se tivessem sido seus próprios filhos, e por causa disso, as tribos de Efraim e Manassés (Efraim é o mais moço, mas foi colocado antes de Manassés) tiveram parte na terra prometida.

A bênção para os doze filhos
Leia: Gênesis 49 

Corrigindo o erro de seu pai Isaque, Jacó guardou uma bênção especial para cada filho (28). O legal dessas bênçãos é que, quando houver a partilha da terra prometida (lá em Josué) vamos observar o que realmente ocorreu, se as bênçãos de Jacó batem... Veja que Rúben (o filho mais velho... coincidência???) não seria considerado o mais importante, porque fez besteira dormindo com uma das mulheres do próprio pai (3-4). Simeão e Levi são "amaldiçoados" por causa do fato ocorrido em Siquém, quando mataram toda uma cidade para vingar o estupro da irmã (5-7). Eles seriam espalhados pela terra (a tribo dos levitas não recebeu nenhuma região específica). Conhece o leão de Judá? Pois é, a expressão tem origem no versos 8-12. Jacó, inclusive, profetiza sobre a tribo de Judá, afirmando que os grandes reis viriam dela. A maior bênção ficou para José, filho da mulher que Jacó mais amou.

O fim do Gênesis

Jacó morreu no verso 33 do capítulo anterior. Jacó foi embalsamado como os egípcios, num processo que durou 40 dias. E por 70 dias todo o Egito ficou de luto. E foi enterrado na caverna de Macpela, junto a seus antepassados, conforme havia feito José prometer. José foi com uma grande caravana até Canaã. As pessoas mais importantes do Egito e todos os israelitas, moradores de Gósem também acompanharam. Fico imaginando os povoados no caminho... deviam morrer de medo, achando que um grande exército estava chegando para atacá-los! Mas o que impressionou mesmo foi o choro do povo pela morte de Jacó (1-14).

Os irmãos de José tremeram na base, achando que ele estava só esperando o pai bater as botas para descer o sarrafo nos irmãos sem-vergonha. Mentiram a José, dizendo que Jacó havia feito, como último suspiro de moribundo, um pedido para que José perdoasse os irmãos. O governador do Egito, que já no verso 5 capítulo 45 havia dado o perdão, faz um dos discursos mais bonitos da Bíblia, que eu faço questão de colar aqui:

Mas José respondeu: —Não tenham medo; eu não posso me colocar no lugar de Deus. É verdade que vocês planejaram aquela maldade contra mim, mas Deus mudou o mal em bem para fazer o que hoje estamos vendo, isto é, salvar a vida de muita gente. Não tenham medo. Eu cuidarei de vocês e dos seus filhos. Assim, ele os acalmou com palavras carinhosas, que tocaram o coração deles. (Gênesis 50:19-21)

José viveu 110 anos e chegou a ter bisnetos (22-23). Antes de morrer, fez o povo de Israel prometer que não o sepultariam no Egito. Por isso foi embalsamado e ficou guardado num sarcófago durante muito tempo (24-26 = sim, José virou uma múmia do Egito).

E assim, amigos leitores, finalizamos nosso primeiro livro da Bíblia!!! Nem doeu, né?!?
E não percam amanhã: o Êxodo.


domingo, 16 de janeiro de 2011

Dia 016: Gênesis 45-47


São tantas emoções...

José não se conteve. Após um bom tempo fazendo teatrinho e disciplinando os irmãos, ele finalmente revelou sua verdadeira identidade. E chorou tão emocionado, que todo o Egito ficou sabendo (1-4).

Em nenhuma passagem, a Bíblia mostra que José tenha ficado magoado ou com raiva dos irmãos pelo que fizeram com ele. Mas eu acho que, somente com o tempo, José entendeu realmente a razão para todo aquele sofrimento. E vale muito a pena transcrever aqui o verso 5: "Agora não fiquem tristes nem aborrecidos com vocês mesmos por terem me vendido a fim de ser trazido para cá. Foi para salvar vidas que Deus me enviou na frente de vocês." José não só já havia perdoado completamente seus irmãos, como se preocupava com o bem-estar deles, inclusive tirando o peso da consciência e livrando-os da culpa pela maldade de anos atrás (7-8)! José se tornou um especialista em enxergar a mão de Deus em tudo o que acontecia com ele. Das grandes qualidades de José, essa é a minha preferida! Assim como a fé de Abraão é a mais celebrada, mas eu gosto mais da sua humildade; ainda que a integridade e a fuga do pecado sejam as características famosas de José, eu curto muito mais essa visão da ação de Deus... E você? Consegue ver Deus agindo na sua vida, inclusive nos momentos difíceis?

E para provar que o que dizia era real e que não havia sentimentos ruins no seu coração, José fez questão de beijar e abraçar cada um dos seus irmãos (14-15).

Ser bom funcionário te dá crédito com o chefe

A notícia da vinda dos irmãos de José correu o Egito até o palácio do rei, e tanto o Faraó como todos os servidores públicos ficaram felizes!!! Além disso, o rei mandou que José enviasse carros, mantimentos e tudo o que havia do bom e do melhor à Canaã, para que seus irmãos pudessem trazer para morar no Egito suas esposas, filhos, gado e, claro, seu pai Jacó (16-23). Dá para acreditar nisso? O rei da superpotência mundial da época, ficar feliz pela família de um estrangeiro??? Dar o “green card” para 70 pessoas da mesma família (Gênesis 46:27), sem nem ao menos conhecer essa muvuca toda?

É que precisamos levar em consideração algo que eu chamo de “O Fator Produtividade”. José foi tão produtivo e trouxe tantas soluções para o Faraó... acredito que, durante o governo de José, o rei do Egito “tirou férias”!!! O soberano foi tão abençoado pelo excelente trabalho de José que qualquer recompensa ainda seria pouca para pagar todo o bem que o hebreu fizera ao povo egípcio, salvando-o da morte por inanição. Pense nisso! Ainda que seu trabalho seja penoso, ou que você se sinta preso nele (José trabalhou na cadeia!!!), dê o seu melhor! Você, com a graça de Deus, vai conquistar a boa-vontade da chefia. Ganhe créditos no seu ambiente de trabalho através da produtividade, e não do puxa-saquismo. E quando você mais precisar, não vai ficar na mão... #ficaadica


Um conselho importante
 
José, melhor do que ninguém, sabia do que seus irmãos eram capazes. Para que nenhuma outra desgraça acontecesse na família, deu um conselho interessante, no verso 24: “Não vão brigar pelo caminho, heim!?!” Imagine só, um irmão mais novo, que foi o caçula por algum tempo, aconselhando como pai um bando de marmanjo velho barbudo... 

Será que esse versículo foi só pros 11 filhos de Jacó??? Acho que é um conselho também para você, que tem irmãos... Eu tenho um irmão mais novo, que já casou (é, fui vítima da síndrome dos primogênitos). A gente brigou muito quando era moleque... hoje eu me sinto muito mal por isso, porque eu fui perverso, às vezes. Claro que, depois de velhos (!!!), só temos batalhas no videogame. Só quero deixar o conselho de José para vocês, irmãos... “Não briguem pelo caminho!” A vida é curta demais, o tempo passa rápido demais (Gênesis 47:9). Não vale a pena se estressar com seu irmão à toa! Se liga nesse conselho do José!

O primeiro Êxodo
Leia: Gênesis 46, 47

José teve um treco quando soube que seu amado filho José estava vivo (Gênesis 45:25-28) e nem contou conversa: juntou os trapos e partiu para o Egito. Antes, deu um “pit-stop” em Berseba, para agradecer a Deus. Lá, recebeu encorajamento do Senhor e a renovação da aliança (46:1-4).

Ao serem recebidos pelo próprio Faraó, José e cinco de seus irmãos disseram sua profissão – pastores de ovelhas – que era uma atividade considerada desprezível pelos egípcios (46:34). Ficaram na melhor terra de pastagens de todo o Egito, a região de Gósen (47:11-12), onde se instalaram confortavelmente e recebiam mantimentos.


Interessante ler de novo a conversa entre Jacó e o rei do Egito (47:7-10). Jacó disse que sua vida passou muito rápido (130 anos!!!) e que ele já não era mais tão forte quanto seus antepassados eram na mesma idade. Creio que isso é uma confirmação do verso 3 do capítulo 6 de Gênesis, quando Deus diz que a humanidade passaria a viver cada vez menos. Legal observar também que, apesar de estar falando com o rei da nação mais poderosa da terra, Jacó o abençoou 2 vezes!

Do site pesquisabiblica.org
Acesse também:

Visão de futuro

Com a lei instituída por José, no versículo 26 do capítulo 47, ele sacramentou sua habilidade como administrador. Deixou uma espécie de imposto para garantir que não haveria mais falta de comida no Egito. Assim, tanto nos tempos de fartura como nos tempos de escassez haveria estoque suficiente de alimentos.

Observe que o “bolsa-trigo” de José não era gratuito. Ainda que, decerto, haveria um preço camarada para quem era egípcio, o governador não dispensava pagamento. Controlando os suprimentos, José evitava que algum nobre ou comerciante ganhasse dinheiro monopolizando alimentos. Apenas o governo central tinha autorização para negociar mantimento durante os sete anos de seca. Quando o dinheiro acabou e o gado também, as terras e o próprio povo foi usado como moeda de troca. Pode parecer um pouco arbitrário, mas, para a época, era a lógica. Desta forma, José garantiu a fidelidade do povo (47:13-24). E veja o que o povo falou a respeito de José, no verso 25 do capítulo 47!

Um pedido e uma promessa

Jacó, pela fé, sabia que a permanência dos israelitas no Egito seria temporária. Por isso pediu a seu filho José que não o enterrasse naquela terra estrangeira, mas que sepultasse seu corpo na sepultura dos pais, em Macpela. E José prometeu que faria isso (47:27-31).

sábado, 15 de janeiro de 2011

Dia 015: Gênesis 42-44

Chance de vingança
Leia: Gênesis 42, 43 e 44

O mundo dá muitas voltas... é como eu sempre digo! Depois de ter sido maltratado e vendido pelos irmãos para os ismaelitas. Depois de ter sido vendido pelos ismaelitas ao oficial egípcio chamado Potifar. Depois de ter sido injustiçado e lançado na cadeia... Depois de ter se tornado segundo no comando do Faraó... José teve sua chance de vingança...
A fome apertou em Canaã, e Jacó enviou todos os seus filhos ao Egito, para comprarem mantimento. Deram de cara com tal de Zafenate Paneia, sem perceber que o vice-rei do Egito era, na verdade, seu irmão José.

Será que José tinha sede de vingança, e por isso fez o que fez com os seus irmãos? Tratou os irmãos duramente, acusou, prendeu, ameaçou...

Acho que José não estava se vingando dos irmãos, mas dando-lhes uma lição. José queria mostrar o erro que eles haviam cometido há muitos anos. Rúben foi o primeiro que sentiu a peia (42:22). Simeão foi o próximo a ralar, quando foi preso (42:24b). Judá assumiu a responsa por Benjamim (43:8).

Vamos a algumas observações:

- Estava muito difícil para José manter a compostura diante dos seus irmãos. A emoção estava forte e ele precisou se retirar várias vezes para chorar (42:24; 43:30).
- Jacó se tornou realmente um homem honesto, quando mandou os filhos devolverem o dinheiro que encontraram nos sacos (43:11-12).
- Simeão deve ter ficado um bom tempo preso no Egito, pois os filhos de Jacó já poderiam ter ido e voltado duas vezes. Uma viagem de Canaã até à capital do Egito era uma pernada boa... deixaram o coitado preso por lá e só voltaram quando acabou a comida! Ô família (43:10)!!!
- José provavelmente só conheceu seu irmão Benjamim no Egito (43:29; 34).
- Os sonhos proféticos de José se concretizaram (42:6-9; 43:26; 44:14).

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Dia 014: Gênesis 37-41

Olá! Antes de começarmos, gostaria de pedir licença para fazer uma pequena alteração. Vou comentar primeiro o capítulo 38 e depois retorno ao capítulo 37 e daí parto para os de 39-41...

Tirem as crianças da sala

Antigamente, quando alguém se casava, tornava-se membro da família do cônjuge para sempre. Para evitar que uma moça viúva ficasse desamparada, o irmão do morto tinha o dever de se casar com ela. Além disso, os filhos que viessem a ter seriam considerados do irmão morto. Era uma forma de manter o nome e a linhagem daqule que já tinha partido sem a glória de ter tido filhos (lembra de Sarai, Rebeca e Léia? Mais ou menos o mesmo pensamento).

No verso 7, conhecemos o caráter de Er, filho de Judá. Ele foi morto por Deus, pois vivia uma vida perversa. A Bíblia não diz exatamente o que Er fazia, mas para o próprio Deus intervir e dar um "game over" nele é porque deveria ser muito barra-pesada! Onã, irmão de Er, partiu para cumprir sua obrigação de dar descendentes ao morto. Mas, ao invés disso, quis apenas curtir com a cunhada, e por isso também acabou morto (8-10). A Bíblia tem uns temas cabeludos, né? Veja, Onã, pilantra, praticava o coito interrompido para evitar que Tamar ficasse grávida. Tenha em mente também que ter filhos era ter mão-de-obra e força para construir patrimônio e defesa contra inimigos. Provavelmente, Onã não poderia exigir isso de um filho com Tamar pois, na prática, seria um descendente de Er... Que rolo!!!

Agora uma pausa: alguns usam esse texto para comprovar que a Bíblia condena o sexo apenas para o prazer. Isso é errado! A Bíblia condena o sexo fora da vontade de Deus. Se você tirar um tempinho para verificar o livro de Cantares de Salomão, ou o capítulo 5 de Provérbios, você vai ficar de queixo caído com os conselhos de Deus a respeito do assunto! Deus ordena que você se divirta fazendo amor, mas que seja com a sua esposa/marido e de maneira que glorifique a Ele (outros versículos: 1Ts 4:4-5; 1Co 7:3-5).

Mas o pior desse rolo todo com Tamar vem depois. Judá fica com medo. A mulher se torna uma viúva negra - quem casa com ela acaba morrendo! Ele promete que dará seu último filho assim que o garoto crescer, mas isso é apenas para enrolar a coitada, que volta para a casa dos pais, desamparada (11). E aí Tamar engana Judá e acaba engravidando dele (12-23), faz uma chantagem (24-26) e dá luz à gêmeos (27-30)... Tire as crianças da sala!!!

Um sonhador

Agora sim! Bora falar da vida de José. Sou fã desse cara! E espero conseguir mostrar a você a razão pela qual vale a pena se ligar nesta história...

Como José era filho de Raquel, ele era mais amado do que os filhos das outras mulheres. Acredito que Benjamim ainda era bem pequeno nesta época (alguns estudiosos levantam a hipótese de isso ter acontecido antes do nascimento do último filho de Jacó - teoria que eu assino embaixo). Quero destacar 3 pontos do comecinho da vida deste personagem:


- José era o queridinho do papai (3).
- José era odiado pelos seus irmãos, porque tinham inveja dele (4; 11).
- José não trabalhava pesado, só "fiscalizava" seus irmãos (final do 2 e versos 13-14).

José teve dois sonhos proféticos em que seus irmãos e pais (veja a possibilidade de Raquel ainda estar viva no verso 10) se curvavam diante dele, humildes (5-9). Isso despertou ainda mais o ódio dos seus irmãos, que tramaram a morte de José. Rúben, o primogênito, tendo compaixão do mais novo - mas sem peito para encarar os outros - tentou evitar uma tragédia, mas no fim das contas José acabou sendo vendido como escravo, dando até mesmo certo lucro pros malvados irmãozinhos (18-30). Detalhe na maldade dos caras, que depois de jogarem o pobre no poço, nem se importaram com os gritos de socorro e lágrimas do menino, mas sentaram para papear e almoçar! Filhos de Jacó mesmo né? Ao armarem uma farsa para encobrir o crime, quase mataram o pai do coração com a notícia da "morte" do caçula. E veja a dor de Jacó no verso 35!!!

Trabalhador qualificado
Leia: Gênesis 39 
 

Nem queria puxar a sardinha pro meu lado, mas José se mostrou um grande administrador! Ele, que com apenas 17 anos, vendido para ismaelitas e depois para um oficial egípcio, desenvolveu excelentes competências e se tornou um exemplo de trabalhador para todos nós. José era um líder (4) responsável e diligente (6), honrado e íntegro (9). Um garoto que até pouco tempo nem pegava no pesado, agora orientava os servos de Potifar e mandava e desmandava por lá! Que diferença!

Acusações falsas

A mulher de Potifar (carinhosamente apelidada por um pastor amigo meu de "Poti-Safada") partiu pra cima de José, que era bonito e simpático (6b). Chegou junto e disparou na lata (7). Todos os dias ela dava em cima do rapaz, e ele fazia de tudo para não ficar perto dela (10). Quando o bicho pegou, ele não teve dúvidas... saiu correndo e deixou até a roupa (11-12)! Lições??? Vamos lá:

- Ninguém é o "bonzão", inatingível, quando o assunto é sexo. Todo mundo é tentado nessa área.
- Se alguém mexe com você, melhor manter distância.
- Antes da situação fugir do seu controle, vá embora e não olhe para trás!
- Sempre escolha agradar primeiro a Deus do que ao seu próprio corpo (essa é difícil).

Rejeitada, a mulher de Potifar armou maior barraco! Mentiu, acusando falsamente José. Potifar, se sentindo traído, trancafiou José na cadeia (13-20).

Maldição em bênção

Você era amado. Foi traído pelos seus irmãos, jogado num poço, depois vendido como escravo. Respeitou a mulher do seu patrão mas a filha-do-cão fofocou pra todo mundo que você tentou agarrá-la à força. Você foi preso, mesmo sendo inocente... Qualquer um ficaria chateado, desmotivado, mas não José!!! E sabe por quê? Porque Deus estava com ele (21). Deus tem lá o seu estilo de ensinar a gente, de nos fazer crescer. Ele tem a "Universidade do Quebrantamento" (Pr. Leandro Caiado). Ele quebra a gente pra fazer de novo, de um jeito melhor... E, mesmo nas piores situações, Deus estava agindo e abençoando José... e pode estar fazendo isso na sua vida agora mesmo!

José era tão bom em administrar que o carceireiro deixou a prisão aos cuidados dele! Ele deveria ter até as chaves das celas e da porta da frente! Mas veja como o homem é honesto! Não usou essa condição para fugir, mesmo sob a mais cruel injustiça. Ele foi fiel (21-23).

De sonhador a apanhador de sonhos

Dois servos do rei foram presos e tiveram sonhos distintos, na mesma noite. Sonhos que José interpretou corretamente, reconhecendo que esse dom vinha de Deus (8). O copeiro ia se dar bem, mas o padeiro ia perder a cabeça. Dito e feito: no niver do Faraó, o copeiro foi reintegrado à função (mega importante, aliás, já que o copeiro tinha que ser de confiança e provava tudo antes de levar ao rei, para saber se algo estava envenanado), mas o padeiro foi executado (12-21). Quero destacar aqui a sensibilidade de José, que percebeu que os homens estavam tristes e se importou com o problema deles (6-7).

O copeiro, reintegrado, esqueceu completamente de José (14; 23). Você já passou por isso? Ajudou uma pessoa mas, quando precisou de ajuda, ela lhe virou as costas??? Ô ingratidão!


De escravo a "zero-dois" do Faraó
Leia: Gênesis 41 

O Faraó teve um sonho terrível, que nenhum mago, sábio ou vidente do Egito pode interpretar (1-8). Então finalmente a ficha do copeiro caiu e ele consertou a falha que cometeu contra José ao indicá-lo a Faraó (9-13). José se preparou para encontrar-se com o rei e interpretou o sonho, com a ajuda de Deus. Em pouco tempo, haveria no Egito 7 anos de muita fartura. Mas após esses bons anos, "de vacas gordas" (olha aí a origem de um dito popular!!!), viriam outros 7, de "vacas magras". Era preciso estar pronto pra isso, orientou José (14-36).

Os bons conselhos de José agradaram o Faraó e por isso ele foi nomeado governador do Egito, segundo no comando, com direito a desfile em carro aberto pelas ruas da capital e tudo (37-45). José cumpriu seu cronograma e coletou o excedente da produção de trigo, armazenando tudo. Havia tanto alimento que ele largou o controle de estoque porque não tinha mais como pesar tudo (47-49). E quando chegou os tempos de fome, o rei avisou: "Não quero saber de chororô, vão falar com José! Ele que é o responsável pelo Bolsa-Família aqui no Egito!!!" (53-57).



José teve dois filhos com a esposa egípcia que o Faraó lhe deu. Manassés ("esquecimento") e Efraim ("frutificar"). Eles nasceram antes do período de fome (50-52).

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Dia 013: Gênesis 34-36

Desonra e violência

Nossas emoções, em essência, não são boas nem más. O que fazemos com elas é o que determina o aspecto final dos sentimentos. A paixão, por exemplo, é uma coisa que pode surgir em nós a qualquer momento, e por qualquer coisa: uma pessoa, um livro, um esporte, uma comida, uma profissão, uma atividade... "Eu adoro esse filme!" - não é assim que dizemos às vezes? Mas em que ponto a paixão pode ser prejudicial? (parece introdução do Globo Repórter)

Siquém se apaixonou por Dina, a única filha mulher de Jacó. Sua paxião era tão avassaladora que ele acabou estuprando a moça. E depois quis pedi-la em casamento (1-4). No entanto, sexo antes do casamento está fora dos planos de Deus e era considerado desonra pelos filhos de Israel (7). Hamor, pai de Siquém, tentou consertar a burrada que o filho fez, se dispondo a realizar qualquer coisa para que ocorresse um casamento (8-12). Simão e Levi, irmãos de Dina (todos eram filhos de Léia) aproveitaram a oportunidade para dar o troco. Como pré-requisito para aceitarem um acordo de paz, todos os homens da cidade de Siquém deveriam passar pela circuncisão (13-19). Hamor e Siquém logo foram circuncidados, pois o rapaz estava caidaço pela Dina. E depois eles acabaram convencendo os outros homens a fazerem o mesmo, usando um argumento quase infalível - o dinheiro (20-23).


Circuncisão é um procedimento delicado e doloroso, muito mais àquela época. Quando todos os homens estava convalescentes, Simeão e Levi entraram na cidade, mataram todos os homens, roubaram as casas e levaram as mulheres cananeias como escravas, correndo o risco de atrair a ira de todos os povos das redondezas contra Israel (24-30). E os irmãos disseram uma frase pesada, mas que conta um pouco da opinião bíblica a respeito do assunto (31).

A paixão é prejudicial quando foge do controle, quando se torna uma obsessão. A paixão tem pressa, não espera, não tem limites! A paixão não se contenta, quer sempre mais... Pesquisas falam da semelhança entre estar apaixonado e estar drogado: você sempre vai acabar precisando de uma dose maior para fazer o mesmo efeito... Tem uma hora que as coisas saem dos trilhos, e é nessa hora que você se lasca - e pior... pode levar mais gente junto com você pro abismo!


Morte e vida israelita

Jacó saiu de Siquém. Deus mandou (1-15). E acho que Deus fez isso porque a parada ia ficar feia pra família de Israel, porque a galera de Canaã ia cair de pau em cima, por conta do episódio relatado no capítulo 34. Mas Raquel estava grávida, e no caminho acabou entrando em trabalho de parto. O parto foi muito difícil. Acho que o nascimento de José já tinha sido um milagre. O útero de Raquel deveria ser hostil. Um menino nasceu. Mas ela morreu (16-18a).

Mas me deixa falar sobre esse versículo 18. Um versículozinho... Antes de morrer, Raquel chamou o filho de Benoni, mas Jacó preferiu chamá-lo de Benjamim. Por que raios o homem não ia respeitar o último desejo da esposa, dito no último suspiro??? Simplesmente por uma questão de perspectiva. "Benoni" significa: "filho da dor". Mas "Benjamim" quer dizer: "filho da minha mão direita". Filho da mão direita? Sim... a mão direita era considerada a mais forte, a que empunhava a espada, a que selava acordos... Tudo o que ficava à direita era considerado mais importante, mais honroso. Jacó chamou Benjamim de "o mais importante", "o preferido", o "filho da felicidade". Você consegue enxergar a diferença de foco entre Raquel e Jacó? É claro que foi Raquel quem sentiu a dor. Foi ela que passou anos envergonhada e triste por ser estéril. Ela teve que agüentar outras 3 concorrentes... E teve um parto dificílimo. Mas Jacó, que amava Raquel mais do que qualquer outra, viu em Benjamim uma 2ª semente de Raquel. Ao invés de culpar o garoto pela morte da mãe (como já vi acontecer), Jacó recebeu a criança com alegria. Nós já lemos sobre o poder dos nomes para os israelitas. Imagine o impacto na vida de Benjamim se ele fosse lembrado, a cada vez que o chamassem, que sua mãe precisou morrer para ele nascer??? 

E é por isso também que devemos ter cuidado com a forma como chamamos os outros. Xingamentos, apelidos pejorativos, são terríveis! Ainda que o outro finja não ligar, todo mundo, no íntimo, se sente diminuído e humilhado quando recebe um mau nome.

Os filhos de Jacó

Antes de você visualizar, baixar ou imprimir a "árvore genealógica" representando os filhos de Jacó (que mais tarde se tornariam as 12 tribos de Israel - versículos de 22 a 26), atente para os versos de 27 a 29. Isaque demorou um bocado pra morrer! Mais de 20 anos depois de ter abençoado, às pressas, Jacó no lugar de Esaú!!! Eu heim?!?

Desafio365 - Os Filhos de Jacó

Origem de outros povos

Digam o que quiserem, mas sou fã das genealogias bíblicas. Mas, mesmo querendo bolar esquemas para mostrar as descendências e apresentar as regiões que tais povos ocuparam, vou poupar você, amigo leitor da Bíblia, e parar por aqui... Essa fica para o ano que vem!



quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Dia 012: Gênesis 30:25-33:20

Engenharia Genética
Leia: Gênesis 30:25-43

Puxa, essa é uma passagem muito engraçada. Bom, pelo menos eu acho. E temos aqui alguma coisa de genética... Mas vamos contextualizar:

Labão, que poderia se chamar "ladrão" (hmm... essa foi péssima!), de modo muito egoísta deu um jeitinho pra Jacó continuar trabalhando para ele. Trabalhando como escravo, diga-se. Jacó não tinha salário. Como Labão sabia que Deus estava com Jacó (27), fez um trato com ele: o rebanho malhado, manchado ou preto seria de Jacó; os branquinhos, de Labão ("Labão" significa "claro", "alvo"). Mas Labão surrupiou todos os animais malhados e enviou para longe, deixando Jacó apenas com os brancos para cuidar (31-36).

Como um verdadeiro agrotecnologista, Jacó fazia as ovelhas fortes cruzarem diante de uma espécie de cerca feita de galhos; mas quando os animais fracos iam cruzar, Jacó tirava os galhos. Assim, quando cruzavam diante dos galhos, nasciam ovelhas malhadas, quando não tinha galhos, nasciam brancas (37-42). Isso significa que os animais eram influenciados pelo que viam??? Sugestão e mensagem subliminar funcionam na hora da concepção? Para tudo! Acho que não é beeeeem assim...

Não sou um especialista, mas vou puxar da memória conceitos que vi na 8ª série. Bem, Gregor Mendel, um cristão austríaco, fez em 1856 experiências com ervilhas. Ele efetuava o cruzamento de ervilhas e percebeu que, ao cruzar duas ervilhas amarelas de 2ª geração, havia uma probabilidade de 25% de ocorrência de ervilhas verdes. Bom, isso tem a ver com genes dominantes e recessivos, homozigotos (AA ou aa) e heterozigotos (Aa). Confira este artigo. Então levantei duas hipóteses:

HIPÓTESE 1
* Se a característica "cor branca" é dominante = B
* E a característica "não-branco" é recessiva = b
O resultado seria: 25% branco homozigoto (BB); 50% branco heterozigoto (Bb) e 25% não-branco homozigoto (bb). Estou levando em consideração aquele ditado: "Você é a ovelha negra da família" (ou seja, a excessão, o recessivo).

HIPÓTESE 2
Mas, com base no texto bíblico, sou levado a acreditar que a raça criada por Jacó na época era assim formada:
* Característica "não-branco" é dominante = N
* Característica "branco" é recessiva = n
Assim o resultado seria: 25% não-branco homozigoto (NN); 50% não-branco heterozigoto (Nn) e 25% branco homozigoto (nn). Estou levando em consideração o versículo 43. Com a probabilidade maior de nascerem não-brancos, o rebanho de Jacó aumentaria exponencialmente.

O que eu quero dizer é que deixar apenas ovelhas brancas não garantiria uma prole totalmente branca. Um casal de pele branca pode sim ter um filho de pele mais escura, desde que ambos os pais sejam heterozigotos.

De acordo com os versos 41-42, percebemos que os animais fracos davam crias brancas. Podemos inferir que, de acordo com a hipótese 2, crias recessivas homozigóticas (nn - brancas) eram geneticamente mais fracas. E sabemos que, num cruzamento entre seres homozigóticos, só nascem filhos homozigóticos...

Ah, mas e o lance dos galhos? Não tinha muuuuuuito a ver com o resultado final, logicamente. Deus estava agindo, conforme revelou ao próprio Jacó em Gênesis 31:10-12. Creio que a atitude de Jacó estava mais ligada à fé. Além disso, Deus se agrada quando fazemos nossa parte; Ele se alegra em nos deixar participar da Sua Obra (dá uma lidinha em Êxodo 17:11-13... você enxerga alguma relação com a leitura de hoje?).

A comunidade científica acredita que a obra de Mendel confirma a veracidade darwiniana. Eu, por outro lado, creio que Mendel confirma a possibilidade do surgimento dos diferentes povos (cor de pele, cabelo, olhos, compleição física) de apenas 1 casal. E se Deus criou Adão e Eva com genes heterozigóticos??? As possibilidades são incontáveis!!! Pense nisso!!!

UFA! Não sei se alguém já reparou nisso, mas essa é a minha visão dessa passagem interessantíssima da vida de Jacó... O que você acha???


Ladrão que rouba Labão...
Leia: Gênesis 31

Jacó encontrou um adversário à altura. Labão era bem mais larápio! Ganancioso, só se interessava por dinheiro. Roubou Jacó até não poder mais e usou as filhas para isso (15). Cansado de ralar na mão do sogrão, o ex-filhinho-da-mamãe e agora calejado Jacó foge, com a intenção de retornar para a casa dos seus pais (e até hoje a gente faz isso, quando temos problemas... corremos pros nossos pais!). Depois de ter comido o pão que o Labão amassou, Jacó, maroto, tapeia seu sogro outra vez e vaza (20-21).

E temos aí outra história curiosa. Raquel rouba os "ídolos do lar" (terafins) da casa do pai e, quando Labão (muito mordido - furioso!) alcança a caravana de Jacó, ela os esconde embaixo de uma cela. Raquel (com quem será que ela aprendeu? Com o pai ou com o marido?) evita que o pai procure os ídolos sob a cela, dando uma desculpa... (30-35). É mole?

Mas o que eram esses "ídolos do lar"? Por que Labão os tinha em casa, e por que Raquel os roubou??? Na época ainda não havia a Lei, revelada apenas com Moisés. A fim de cumprir as leis escritas no livro que Hilquias, o Grande Sacerdote, havia achado no Templo, o rei Josias retirou de Jerusalém e do resto de Judá todos os médiuns e adivinhos e todos os deuses do lar, os ídolos e todos os outros objetos de adoração pagã (1Reis 23:24) Os povos antigos viviam apegados às suas crendices, superstições e falsos deuses. Um "ídolo do lar" era como se fosse um anjo ou santo protetor, e ficava provavelmente numa espécie de altar, num lugar de destaque, dentro de casa. E repare que Jacó não sabia que Raquel estava com os tais ídolos...

Eu não sei exatamente por que Raquel os roubou, mas há opções: 1) Ela queria se "vingar" do pai e levar alguma coisa que ele gostava muito; 2) Ela acreditava nos ídolos do lar; 3) Ela tinha esperança futura de receber a herança de Labão (conforme costumes antigos, quem portava o ídolo era digno da herança - talvez por isso Labão tenha ido babando pra cima do Jacó... afinal ele não queria que o genro herdasse o seu patrimônio). Seu voto vai para qual das opções???

"Me dá minha bênção pra depois subir"

Jacó lutou com Deus. É isso o que diz a Bíblia. Mas vamos ao contexto:

- Jacó estava com medo do seu irmão Esaú (mesmo 20 anos depois... veja como a mágoa e a culpa não tem prazo de vencimento dentro da gente... livre-se disso o quanto antes!).
- Jacó tinha sido explorado por Labão.
- Jacó era mentiroso, trapaceiro e covarde.
- Mesmo rodeado por muitos, ele estava sozinho (24).

Ele precisava de um encontro com Deus...

E é por isso que eu acredito que Jacó lutou com Jesus. Jesus é a forma física da Trindade. O "varão", ou "homem" que lutou com Jacó dá uma boa pista no verso 28. A briga foi boa, foi acirrada e Jesus até apelou (25). Será que "o varão" não poderia mesmo ter vencido um simples homem??? Claro que sim, óbvio! Na verdade, Deus estava mexendo com a auto-estima de Jacó, estava gerando motivação naquele cara abatido, fraco e temeroso. Ao lutar com Deus, Jacó se fortaleceu. Jacó era café-com-leite, e Jesus deixou ser suplantado, por amor àquele homem... Mas não saiu ileso (nunca ficamos do mesmo jeito depois de um encontro verdadeiro com Jesus).

Jacó teve o seu nome mudado para Israel ("aquele que reina com Deus" ou a forma mais aceita: "aquele que luta com Deus"). Essa mudança de nome, como vimos, significa uma transformação de vida... Jacó agora não seria mais o enganador, mas sim um guerreiro! E se liga no verso 26: antes, Jacó recebeu a bênção corruptamente, por meio de traição; agora, ele a recebe por graça e por mérito. Que transformação!!!


O perdão de um irmão

Não vou me estender aqui, apesar desse ser um capítulo muito emocionante. Só quero chamar sua atenção pra alguns pontos:

- Um incrível amor entre irmãos (4).
- Perdão incondicional, sem segundas intenções (8-11).
- Humildade de quem antes era orgulhoso - "meu patrão" (3; 10; 15).
- Respeito às limitações dos outros e cuidado com a família - empatia no lugar de egoísmo (13-14).
- Gratidão a Deus (11; 20).


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Dia 011: Gênesis 27-30:24

Ladrão de bênção

Os mais antigos têm o costume de exigir que seus filhos e netos "tomem a bênção". É um sinal de respeito e que eu acho muito bonito, apesar de na minha família não termos essa tradição. Acho que a origem desse ato vem desses tempos imemoriais da Bíblia. A bênção era um momento especial, em que o chefe da família, antes de morrer, falava a respeito de cada um dos filhos. E o que ele falava, acontecia.

Orientado pela mãe (!!!), Jacó enganou o pai. A mente de Rebeca, digna de supervilã de minissérie dramática, bolou um plano infalível para que Jacó botasse as mãos na bênção que era de Esaú por direito - já que o filho mais velho tem prioridade (1-26). Isaque, já cego, mas muito desconfiado, acabou cedendo quando sentiu o cheiro das roupas de Esaú (que provavelmente deviam feder um bocado, já que ele era caçador e vivia no mato - verso 27).

Sem nenhum esforço, Jacó roubou a bênção que era de Esaú (a mesma que o peludão tinha "vendido" por um prato de sopa). Quando Esaú chegou para receber as palavras do pai, era tarde demais. Isaque, por amar muito Esaú, tinha dado toda a bênção de uma vez, e não guardou nada pro mais novo (30-37). O velho não contava que seria tapeado e forçado a trocar as bolas! Ao invés de boas palavras, Esaú recebeu maldição, e essa profecia de Isaque se cumpre até hoje. Edom, povo originário de Esaú, foi um inimigo histórico de Israel e seu território hoje responde pelos nomes de "Faixa de Gaza" e "Jordânia" (soa familiar??? - versos 39-40). Esaú sentiu muito por causa dessas palavras poderosas, numa cena que eu considero das mais desesperadoras da Bíblia (38). E planejou matar o irmão (#CainFeelings - verso 41).

Escada para o Céu

Jacó fugiu do irmão, indo para a casa dos pais de Rebeca. A partir de então, Jacó vai comer o pão que o cão amassou. Vai ser quebrado, moldado, perseguido, enganado... terá muitos sofrimentos e passará por dificuldades, até o fim da vida (desculpa pelos "spoilers"). Mas seu caráter vai ser transformado de acordo com a vontade de Deus. O Senhor tem métodos de trabalho não-ortodoxos...

No caminho, próximo à cidade de Luz, Deus se revelou à Jacó. Em um sonho, Jacó viu anjos subindo e descendo por uma escada que ia até o céu (10-13). Deus abençoou Jacó, novo portador da promessa (eu sempre penso numa corrida de revezamento: um vai passando o bastão para o outro, dando seqüência aos planos de Deus), e firmou uma aliança com ele (14-18). Jacó ergueu um marco (18), mudou o nome da cidade para Betel ("Casa de Deus") e firmou o pacto com Deus, inclusive a respeito do dízimo (verso 22 - mais uma vez, por vontade própria. Deus não pediu nem exigiu nada, Deus não precisa receber nada em troca pela salvação que oferece. Dar o melhor do que se tem é um desejo que surge no coração de quem ama a Deus, o desejo de participar de algo maior e de contribuir). E assim Jacó se encontrou com Deus pela primeira vez...

A primeira impressão é a que fica

Jacó seguiu o conselho da mãe e foi para a casa do seu tio Labão. Mas antes de chegarmos lá, quero destacar os versículos 8-10: quando o homem viu a moça, não teve dúvidas... tirou a pedra que cobria o poço (que era pesada) e rapidamente serviu os animais de Raquel. O que um cara num faz pra impressionar uma mulher...?!? Que coisa!

Laços de Família

Jacó se apaixonou perdidamente por Raquel, e se dispôs a trabalhar 7 anos por ela. A Bíblia diz que o amor era tão grande, que os anos pareceram poucos dias (20). Na noite de núpcias, porém, Labão entregou a filha mais velha (Léia) a Jacó, que no escuro, não percebeu nada... Só no dia seguinte viu que tinha sido enganado (opa! Sentiu o gostinho de ser apunhalado pelas costas, ô Jacó?!?). E Labão, muito malandramente, conseguiu fazer com que, aquele filhinho de mamãe que vivia dentro de casa, mimado, trabalhasse outros 7 anos pela mulher que amava. Agora, tempo de corrigir um equívoco: Jacó trabalhou sim, 14 anos por Raquel, mas ele não esperou todo esse tempo para se casar com ela (27-28; 30). Assim, Jacó teve duas esposas... que a propósito, eram irmãs.

Corrida Maluca

O sinal verde acendeu e as máquinas voaram na pista. A cada momento, um dos competidores ganhava a dianteira. E nessa corrida maluca, valia de tudo... Não, não é uma nova etapa de StockCar. Estou falando da emocionante disputa entre Léia e Rebeca para saber quem iria ter mais filhos de Jacó! Prepare o seu coração!!!

Foi loucura total! Léia saiu bem na frente, com quatro rebentos. Depois Raquel, estéril, entregou sua escrava Bila para ser sua "barriga de aluguel". Deu certo duas vezes. Léia percebeu que estava correndo risco e também entregou sua escrava (Zilpa) a Jacó, com quem teve dois filhos. Léia depois teve mais dois filhos na seqüência, e mais uma filha!!! Raquel tornou-se fértil e deu a Jacó um filho chamado José... e depois Benjamim, mas esse último fica para outro capítulo.

Há muitas pesquisas demonstrando que o ser-humano não é biologicamente preparado para a monogamia, assim como a maioria dos animais. Ainda que eu considere pertinente algumas proposições, acredito que o que nos diferencia dos outros seres é nossa capacidade de escolher e de domar nossos impulsos. A união monogâmica, ideal de Deus (como falamos a respeito da formação de um casal original - o que é teoricamente contraproducente, se você quiser povoar toda a terra), é mais adequada pois evita certos transtornos familiares horríveis, como ciúmes, inveja, disputas, preferências, desprezo, insegurança, brigas e discussões, depressão, tristeza, comparações, queda de auto-estima... quando nos sentimos deixados em segundo plano, afetivamente falando, experimentamos as piores sensações e damos vazão às reações mais extremadas! Tire um tempinho para pensar nisso...


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Dia 010: Gênesis 24-26

Uma mulher segundo o coração de Deus

Quero usar este tópico de abertura da leitura de hoje para listar 6 características de uma mulher segundo o coração de Deus, reveladas em Rebeca:


1 - É trabalhadora (15-16).
2 - É generosa (17-19).
3 - É forte e não tem frescura (20).
4 - É segura de si e tem identidade própria (24-25).
5 - É decidida (57-58).
6 - Sabe se preservar (65).

Perceba que, em nenhum momento, Rebeca (exemplo de mulher) é colocada em posição inferior, dominada, oprimida. As qualidades exaltadas mostram claramente um perfil até mesmo "feminista", num sentido mais puro da palavra. E para confirmar ainda mais o que estou falando, os versos 55-59 são fantásticos: Rebeca teve o direito de escolher!!! Hmmm... a Bíblia é mesmo revolucionária!

Missão dada é missão cumprida

Personagem geralmente deixado de lado, o servo de Abraão é um modelo de funcionário. Eu tenho uma empatia especial com esses personagens bíblicos que aparecem num relance, muitas vezes sem nome, que mudam o curso da história e deixam uma marca... Faz com que eu deseje ser assim também. Mesmo que meu nome não fique nos livros... Pense nesse servo. Com certeza ele receberia o prêmio de "Servo do Mês" e teria um retrato pintado à mão (claro!) na parede da casa de Abraão. Ele não só cumpriu a missão, como fez isso de um jeito muito eficiente. Vamos à listinha? Aprenda a ser eficiente (poxa, tava guardando essa para a "Noite do Profissional"... hehehe):

1 -   Pense em tudo o que pode dar errado, e prepare-se (5-8)!
2 -   Comprometa-se com a missão da empresa (9).
3 -   Não enrole, vá direto ao ponto (11).
4 -   Peça a ajuda de Deus (12-14).
5 -   Seja prudente. Ir direto ao ponto não significa ser precipitado (21).
6 -   Quando tiver certeza de que está próximo do alvo, agarre-o (22)!
7 -   Tenha foco, priorize! O mais importante vem primeiro (33; 57-59).
8 -   Seja sincero e honesto, pois assim você poderá esperar o mesmo dos outros (34-49).
9 -   Invista em relações onde todos saem ganhando (53).
10 - Entregue. Faça bem feito, do início ao fim (61-66)!!!

E quando tiver sucesso, não se esqueça de agradecer a quem merece gratidão (26-27; 52).

Descendentes de Abraão

Abraão, curiosamente, teve outra esposa, chamada Quetura (1-4). Não sei dizer se isso foi antes ou depois da morte de Sara - nem todos os capítulos e versículos não seguem necessariamente uma ordem cronológica, você já deve ter percebido. Poligamia era prática comum naqueles tempos, embora não fosse algo bem visto por Deus (vamos descobrir isso beeeeeeem mais tarde, confirmado nos últimos livros do NT, mas digo que, se poligamia fosse vontade de Deus pura e simples, haveriam mais Evas. Isso até ajudaria a povoar a terra. Mas não foi assim que aconteceu, como vimos). Se foi enquanto Sara estava viva, curioso ela não ter ciúmes, como teve de Agar. Se foi depois de Sara, Abraão ganhou um "fôlego" extra depois de Isaque, pois teve vários outros filhos (SEIS!!!)! Interessante observar que Abraão originou mais povos, todos ocupando a área do Oriente Médio (6).

Outra coisa legal é que Ismael e Isaque não eram inimigos. Eles brincavam juntos (lembra de Gênesis 21:9?) e enterraram juntos seu pai Abraão na caverna de Macpela (9).

Ismael teve 12 filhos, que se tornaram tribos e povos poderosos no Oriente. E sabe qual é a área ocupada, entre Havilá e Sur, leste do Egito, no caminho para a Assíria??? Adivinha? Havílá fica na atual Geórgia (próxima à Turquia), Sur (Tiro) fica no Líbano, e a Assíria... bem, a Assíria é onde estão hoje o Irã e o Iraque. Veja em destaque no mapa abaixo a provável ocupação dos descendentes de Ismael:


Gêmeo bom, gêmeo mau

É sucesso em novela mexicana: o gêmeo bom e o gêmeo mau. Mas aqui, nenhum se salva. Rebeca finalmente engravidou, e foi logo de gêmeos. Mas os irmãos já no ventre brigavam entre si. E Deus disse que o mais velho seria dominado pelo mais novo (ô maldição dos primogênitos!). Esaú ("peludo") nasceu, e Jacó veio logo atrás, agarrado no pé do irmão, como quem quer puxar pra dentro pra sair primeiro (19-24).

Queridinho da mamãe

Jacó era mais caseiro, mais na sua, e por isso Rebeca gostava mais dele do que de Esaú. E Isaque amava mais Esaú, porque era caçador. Olha esse erro grave na criação de filhos. Dar preferência a um ou a outro obviamente cria uma atmosfera de animosidade em casa... Há um motivo para isso estar escrito na Bíblia (28).

Um dia Esaú chegou em casa com fome, depois de ter passado um bom tempo caçando. Pediu comida ao irmão, que "vendeu" o ensopado a um preço exorbitante: a primogenitura. Ser primogênito significa ser o herdeiro, o sucessor, o cara que vai ser o manda-chuva depois que o patriarca morrer... É isso aí, Esaú trocou esse direito por um prato de comida. Agora pausa pra refletir, antes de você xingar o Esaú de "zé-mané": será que às vezes você não faz a mesma coisa? Troca algo que é importante, que é sagrado, por uma coisa sem valor? Troca seu futuro por um segundo de prazer? Troca a vida por uma manobra na moto? O que você tem abandonado em favor de uma coisa totalmente ridícula? Será que às vezes a gente não exagera, dizendo que estamos quase morrendo por algo (32), ou que "foi mais forte", "falou mais alto", "não pensei na hora"? Olho vivo pra não agir como Esaú (33-34), que pagou muito caro pela seu descaso com coisas sérias.

Mas quero falar do Jacó também. Ô maninho traiçoeiro, amigo da onça! Não é à toa que o seu nome significa "suplantador" (ou "aquele que leva vantagem"). Jacó podia até ser brasileiro, conhecia como pouco a Lei de Gérson! É bom ver que a Bíblia não esconde os erros dos seus principais personagens, jogando na cara da gente que todos somos pecadores, que todos somos vulneráveis às coisas mais terríveis... e que mesmo assim há esperança pra mim e pra você!

Tal pai, tal filho

E num é que Isaque fez igualzinho ao pai, mentindo pro mesmo Abimeleque (coitado!), dizendo que Rebeca na verdade era uma irmã?! Isso deu outro rolo, mas acho Abimeleque estava mais esperto. E Deus abençoou Isaque de tal forma, que acabou sendo "convidado a se retirar" da terra dos filisteus (12-16).

Cavando poços

Se hoje é difícil viver no Oriente Médio, terra de desertos, tempestades de areia, falta de água... imagine naquela época. Isaque foi cavando poços ao longo do caminho, enquanto se afastava das terras de Abimeleque, mas os pastores de Gerar toda hora tomavam os poços. Isaque não lutava, não brigava. Isaque levantava acampamento e seguia adiante. Cavava outro poço. Os filisteus reclamavam, ele deixava tudo ali e partia pra outra. Cavava outro poço. E fez isso até que não foi mais incomodado (17-22). E sabe por que ele não discutia, nem fazia questão de brigar pelos poços??? Simplesmente por causa dos versos 2-5. Isaque sabia que um dia tudo aquilo seria dele e dos seus descendentes. Deus não mente, nem falha nas suas promessas... assim, ele ficava numa boa... Mesmo assim: que modelo de paciência! Você agiria assim diante de uma injustiça???

Mulher de família

E aqui uma explicação legal. Entendemos enfim a razão pela qual Abraão fez tanta questão de que Isaque casasse com uma mulher de sua família (Gênesis 24:4-6). A resposta está nos versos 34 e 35. Esaú casou com mulheres de outros povos, que não obedeciam a Deus, que passaram a perturbar a família... É como diz meu pai: "Casamento é 8 ou 80, não tem meio-termo. Ou você se dá muito bem, escolhendo a pessoa certa... ou se dá muito mal..." Fica a dica!